Por Dani Moro (@d.a.n.i_m.o.r.o)

Chegando em Tóquio, finalmente entendi todas as fotos que já havia visto sobre a cidade…
Não eram apenas lugares próximos, é simplesmente a maneira de ser de Tóquio.
Como será minha maneira de ser?
Depois de tantos países, já não sei bem quem sou e como sou.
Meu celular começa a avisar que está acabando o espaço. 33. 133 fotos! Lembro do meu pai, ele gostava do número 33.
Olho as fotos para tentar apagar algumas e percebo que já vivi tantas coisas que parece que estou viajando faz anos.
Agradeço por ter poucas roupas, elas têm sido as únicas coisas que tenho e mantenho.
Elas são as únicas coisas que permanecem… memória… ainda tenho! Graças!!!!!
Então, pertenço a algo.
O tempo cada vez mais me mostra que só temos coisas… pessoas, não temos! Amamos, gostamos… mas não temos. E cada lugar que passo, aprendo a gostar mais de pessoas…
Assim como eu, Tóquio tem sua própria vestimenta… e seus acessórios. Seus letreiros na vertical como brincos pendurados, um colorido opaco como se a vida real tivesse um filtro de fotos.
Minha paleta de cores é de outono, então me sinto parte do cenário em Tóquio.
Como o outono é bonito em Tóquio.
Preciso voltar na primavera , para ter certeza que o outono é mais bonito… não podemos saber de nada se não vemos o todo, nada é inteiro em partes.
O silêncio não é privilégio de Hiroshima.
Meu bairro é repleto de casas, muitas… mas as ruas são repletas de caquis… pessoas? Poucas!
As pessoas estão todas em alguns lugares por algum tempo… e cada lugar tem um tempo diferente de ter pessoas. Alguns lugares têm pessoas até as 17h, quando o sol se esconde no outono. Outros lugares têm pessoas após as 17h.
O barulho que existe na farmácia apresentando produtos que não existem nas ruas… mesmo o parque cheio, com crianças e vida, é silencioso. Uma alegria silenciosa.
Será que é uma alegria oriental… como se não precisasse rir alto, não precisasse mostrar ao mundo… bastasse estar?
Tenho objetivos claros para Tóquio. Vim para comer ramen e sushi. Todo o resto não me importa… vim para isso!
Vim para criar uma memória afetiva capaz de me manter conectado a este lado do mundo. Como pude viver tanto tempo longe daqui?
