Quem quer chegar ao fim do mundo?

Quem, em sã consciência, se dirigiria ao fim do mundo?

Por Dani Moro (@soudanimoro)

Quem, em sã consciência, se dirigiria ao fim do mundo?

Embora pareça estranho, esse é o sonho de muitos,  percorrer a Ruta 3 e chegar ao fim do mundo.

O Caminho é repleto de motorhomes, motociclistas e viajantes de carro do mundo todo.

Em algum momento até vira a distração da estrada, tentar ver pela placa de onde é o nobre viajante.

Penso que nossas crenças religiosas estão mais conectadas à negação da finitude do que propriamente à fé. Falamos sobre o Gran Finale, mas esses „grandes finais“ são, na ficção, o início de algo novo e feliz. São sempre o fim de um sofrimento, a superação de um obstáculo. Eles vêm acompanhados de um „e viveram felizes para sempre“. Ou seja, o fim nunca é realmente um fim; é um começo disfarçado.

Para nós chegarmos ao  Fim do Mundo foram 5.800 km percorridos .

Dias de sol escaldante, seguidos por frio intenso, chuva incessante e um vento inacreditável. Um vento tão persistente que parece entrar em meu labirinto, chacoalhando não só a moto, mas também meus pensamentos.

As retas intermináveis desvendam um cenário com pouca vida. É como se, aos poucos, a vida fosse se extinguindo no fim do mundo. Mas, curiosamente, a ausência de árvores e as gramíneas douradas têm algo de hipnótico, quase mágico. Passo horas admirando aquela paisagem que mais parece um filme. É… acho que a vida imita a arte.

Chegar ao fim do mundo é exaustivo. E, pensando bem, talvez seja melhor permanecer no meio da vida. No constante movimento. No fluxo. E, assim, desejo que o caminho nunca termine, porque me sinto bem presa nessa matrix onde o tempo e o espaço parecem não existir.

Pergunto-me por que o fim do mundo é conhecido como „Terra do Fogo“. Já tenho uma tarefa para a próxima parada: entender de onde vem o fogo, nesta terra cada vez mais gelada.

Curiosamente, a vida ressurge a 200 km do fim, acho que a vida quer uma chance, . As árvores reaparecem, os lagos brilham como joias e as curvas sinuosas apresentam um cenário de tirar o fôlego. Tudo tão lindo, tão vivo.

Avistar o portal de Ushuaia é um misto de alegria e tristeza. Que bom – e que triste – que cheguei. A chegada ao fim do mundo.

Mas o fim do mundo, nesta „Terra do Fogo“, é um lugar onde o frio encontra a chama do fogo da vida. Um lugar que simboliza força, resistência e a mística de recomeçar.

Tomara que agora venha… E foram felizes para sempre.

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Marketing Director, Strategy, Brand Creation and Development, Digital Media, Communication Strategy

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