Por Dani Moro (@d.a.n.i_m.o.r.o)

Se a China e a Coreia amam os LEDs e letreiros, o Japão ama os cartazes! O aeroporto de Hiroshima parece estar coberto por gigantescos post-its com recados por toda parte. Se a China tem fluidez, o Japão tem ordem.
Do aeroporto de Hiroshima, peguei um ônibus até o centro da cidade. Começo a pensar que minha surdez está piorando, pois não escuto nada desde que peguei o voo. Olho para o lado e percebo que ninguém está falando. Ufaaa não é a surdez!
Se a China tem scooters, o Japão tem bicicletas, aos montes! Talvez isso diga algo sobre o tempo…
Observo os senhores bem velhinhos ágeis em suas bicicletas e penso que preciso fazer algo para envelhecer assim.
O hotel fica bem em frente ao memorial que lembra o acontecido em Hiroshima. Na verdade, ele não lembra, pois estando aqui é algo impossível de esquecer. O silêncio crescente das ruas e do memorial aumenta o meu barulho interno.
Como é estar simplesmente vivendo as 8:15 da manhã e ver tudo virar nada, ou simplesmente virar nada sem ver?
Um sentimento estranho… como se meu coração batesse acelerado, encaixotado no peito sem espaço.
Será o silêncio?
Será meu barulho interno?
Será a energia do local?
Algo estranho… como um filme mal dublado, onde a boca se move e a voz não vem, assim me parece Hiroshima. Tudo é lindo, mas algo não se encaixa.
Não sei quem é certo… só que que não me parece adequado ter histórias assim para se contar!
Me despeço de Hiroshima sem palavras… em silêncio!
