Por Dani Moro (@d.a.n.i_m.o.r.o)

Eu estava ao telefone com a minha mãe quando avistei o arrozal da janela. Meu coração remendado ficou em festa, como poderia eu ter morrido sem ter visto os arrozais. Pedi a Deus, de forma até leviana, pode machucar meu coração, mas não me tire a memória. Não permita que me esqueça do que vejo agora. Estava ali, falando com minha mãe, que está no cenário das minhas primeiras lembranças de viagem e com quem viajei para tantos lugares. Ela nunca quis vir para a Ásia, mas foi emocionante descobrir os arrozais com ela.
Desde que a viagem começou, foi a primeira parada de “desacelerar”. Meu tempo determinado para o trabalho está mais definido, e não preciso mais virar mais de 20 horas acordada para dar conta de reuniões, turismo e fuso. Confesso que foi estranho… eu tinha tempo… e isso me deu uma sensação de que estava deixando de fazer algo.Na praia, no sábado, dia que tiramos para não fazer nada na praia, Sérgio disse: “É chato para você, né? Você precisa fazer algo.” Não estava chato, pois eu estava vazando algo… rsrsr observando as pessoas, vendo os costumes… Mas sim, sentia que aquele tempo estava diferente e precisei me conscientizar que o tempo agora é estar. Embora a cidade seja agitada, ela tem uma forma despretensiosa e mansa.
Bali é muito grande, por ser uma ilha, e estamos em uma cidade de praia, uma cidade mais calma… Diferente do que vi até então, nada de marcas famosas, nada de códigos internacionais… Vi famílias com 4 filhos, nossa… achei que a minha era a última família no mundo com 4 filhos, mas não… aqui tem muitas. Vi crianças brincando. Roupas de algodão. Sandálias de corda. Rostos sem maquiagem. Tudo parece mais leve. Tudo parece mais simples. Tudo parece mais autêntico. Tudo parece melhor. E está melhor. E como parece que a emoção é a tônica da viagem, me pego sábado sentada na garupa da moto e ele pilotando. Me lembro como se fosse hoje, eu desesperada no corredor do hospital falando pro médico: “Por favor, ele precisa da mão, ele quer conhecer o mundo de moto, por favor.” Certamente para o médico, aquilo parecia pequeno… mas eu sentindo uma emoção que não sei explicar, olhando ele me dizer feliz, pronto… pode subir, como fez tantas vezes, sabia que o que pedia não era pequeno. E assim me despeço dos arrozais de Canggu e vou para os templos de Ubud.
