Não estava no roteiro. Mesmo com as notícias que as manifestações estavam concentradas no centro da cidade de Santiago nós havíamos decidido que não iríamos. Porém, atravessaríamos sim a fronteira do Chile para podermos passar pelos famosos “Los Caracoles”, que, para quem não conhece, é uma sequência impressionante de curvas fechadas que se passa quando sobe ou desce a cordilheira.

Como não poderíamos sair cedo de Mendoza, resolvemos que iríamos dormir em Uspallata, 120 km á frente, e último posto para abastecer antes da fronteira, para subir a cordilheira bem cedo por causa da frequente demora da aduana Chilena. Mas saímos antes do esperado e achamos que daria para ir até os caracoles no mesmo dia e retornar para dormir em Uspallata. Assim, ganharíamos um dia de viagem.

Ficamos maravilhados com a paisagem. O dia estava lindo, céu azul contrastando com as montanhas de pedras com os cumes ainda com um pouco de neve, que este ano quase não teve. A cada curva uma nova vista, e cada vez achávamos mais bonito.

No caminho passamos pelo entrada do Parque Aconcágua, onde dá para se ver o famoso monte, e pela ponte Inca, uma ponte de pedra onde aquele povo utilizava para atravessar as cordilheiras. Mas, devido ao tempo deixamos para fotografar na volta, pois a meta do dia era passar nos “Caracoles”.

Mesmo com sol o frio era grande, sorte nossa que nos preparamos bem e com bons equipamentos para aguentar as baixas temperaturas. E chegamos na Aduana Chilena, a mais bonita aduana que eu já vi. Lá dentro, onde não é permitido fotografar, nos disseram que foi inaugurada recentemente.

E, pra variar, demorou na Aduana. Como ficaria tarde para voltar a Uspallata, resolvemos dormir em Los Andes, no Chile. Onde era sabido que nunca houveram manifestações. Paramos para abastecer e o frentista riu de nossa preocupação, disse que desde a semana passada as manifestações eram pacificas e restritas ao centro da cidade. Então… Partiu Santiago, onde faríamos a revisão da moto no dia seguinte.