Por Dani Moro (@soudanimoro)

Entendo que a foto captura a alma!
Olhe uma foto sua e garanto que sentirá a vida daquele momento.
Sim, ela fica capturada ali.
Concordo com alguns marroquinos.
A minha discordância é que, ao capturar minha alma, quero mais e mais fotos, para reviver cada momento mil vezes, e eles, ao contrário, não querem a foto! Um desrespeito capturá-los sem permissão. Como é difícil ser respeitoso neste momento. Tudo tão lindo, tão alegre, tão colorido! Queria foto de tudo. Queria foto de cada detalhe, queria poder lembrar as mil ruas com mil lojinhas… Todas iguais e tão diferentes! Um lugar para se sentir vivo! Tudo se sente… a pele arrepia no frio da manhã, esquenta com o calor do meio dia, que só abranda na brisa do fim da tarde. Os tapetes, os chás, as flores de cactos, as sandálias de couro… tanta coisa pra vender que cansa, mas 5 minutos depois do cansaço vem a vontade de ter tudo, comprar tudo, levar tudo… Seria mais fácil levar an alma da cidade na foto… que não se pode tirar!
Acho que no fundo é isso!
Como não se pode levar a vida de Marrocos para fora… toda vida fica ali! Assim, cada um que chega é contagiado e a paixão é instantânea.
Claro que o estar no final da viagem faz com que a cidade tenha um sentido maior, ela fica ainda mais especial. Estar em Marrakesh, a cidade que tem a universidade mais antiga do mundo, me faz pensar no que aprendi! O que aprendi nestes 240 dias viajando? O que aprendi nestes 19 países, 57 cidades nos 5 continentes? O que levo além de fotos e memórias que invadem minha mente e enchem meu coração de alegria? Aprendi que comida é para matar a fome, tudo mais é privilégio. Aprendi que água é para matar a sede e tudo mais é luxo. Aprendi que Deus ama a todos da mesma forma, mesmo que o amem de forma distinta. Que o que me sobra falta para muitos! Que talvez tenha menos do que faço para merecer, mas tenho muito mais, muito mais do que preciso! Aprendi que casa é onde podemos descansar o corpo e a alma. Que amigo é aquele que te acolhe sem perguntar de onde você vem, nem para onde você vai, e que nada pode ganhar além do obrigado. Que o mundo é perigoso para quem vive sem enxergar com os próprios olhos, olhos do coração!
